sábado, 22 de janeiro de 2011

DEPENDENCIA ALCOOLICA CRESCE NO PAÍS

A dependência alcoólica é um grave problema de saúde pública e o consumo de álcool está associado a 2,5 milhões de mortes por ano ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. O uso abusivo de bebidas alcoólicas aumenta a probabilidade de ocorrência de acidentes de trânsito, situações de violência, gravidez não planejada, casos de afogamentos, sexo desprotegido, entre outros. Além disso, envolve um alto custo social e econômico: a estimativa anual de gasto com problemas relacionados ao consumo nocivo se encontra entre 0,6% e 2% do PIB global, o que significa, aproximadamente, US$ 210 milhões a US$ 665 milhões.

Devido à relevância do tema, gostaríamos de fornecer nossos contatos e listar algumas sugestões de pautas do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (www.cisa.org.br), organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes sobre o tema no Brasil. Podemos contribuir em suas reportagens com informações sobre os seguintes assuntos:



Álcool e drogas: Estudo britânico divulgado recentemente aponta que, em relação aos danos causados aos usuários e à sociedade, o álcool foi considerado mais prejudicial do que o crack ou a heroína, por um comitê especializado.



Álcool e mulher: Estudos epidemiológicos indicam aumento do consumo de álcool entre as mulheres, nos países da América Latina e Estados Unidos. O tema é relevante, pois a intensidade dos efeitos dessa substância no organismo das mulheres é mais exacerbada em comparação aos homens.



Álcool e gravidez: Pesquisas indicam que muitas mulheres consomem bebidas alcoólicas durante a gestação. Em decorrência desse comportamento, tanto a saúde do feto como a da mãe podem sofrer efeitos negativos, uma vez que o álcool atravessa a placenta. Entre as consequências relacionadas ao consumo de álcool durante a gravidez, a mais grave e comum é a Síndrome Fetal Alcoólica (SFA), apontada como a maior causa evitável de retardo mental em crianças.



Álcool e transtornos alimentares: De acordo com estudos científicos, a relação entre os transtornos alimentares e os transtornos relacionados ao uso de álcool é de mão dupla. Muitos dos indivíduos com transtornos alimentares, como a anorexia, bebem para amenizar a dor e a angústia de não “poder” comer e ainda acreditam que a bebida não engorda ou que ajuda a controlar a fome. A sensação de que o álcool diminui a fome ocorre porque o álcool aumenta a liberação de leptina, uma substância associada à sensação de saciedade. Entretanto, as bebidas alcoólicas fornecem calorias, mas poucos nutrientes, o que pode levar as pessoas, que realizam o consumo de álcool em detrimento ao de alimentos, a quadros graves de desnutrição, entre outros problemas advindos da alimentação inadequada. Além disso, quando se está com estômago vazio, o álcool é absorvido mais rápido e exerce seus efeitos mais intensamente, podendo ocasionar gastrites e úlcera.



Álcool e jovens: Estudo brasileiro avaliou a associação entre o uso pesado de álcool por estudantes e fatores familiares, pessoais e sociais. Foram entrevistados 48.155 estudantes de escolas públicas, com idade entre 10 e 18 anos. Os resultados mostram que os fatores associados a uma maior chance de ter feito uso pesado de álcool foram: ter mais de 15 anos de idade, relação ruim ou regular com pai e mãe, perceber o pai como liberal, não ter filiação religiosa e ter trabalho formal. Desta forma, a pesquisa sugere que ter ligações familiares mais fortes e seguir uma religião podem auxiliar na prevenção do uso abusivo de álcool entre estudantes. Além disso, as consequências negativas do consumo nocivo de bebidas alcoólicas podem permanecer no início da idade adulta. Esta foi a indicação de pesquisa australiana divulgada pelo CISA, apontando que metade dos homens que faziam uso pesado episódico de álcool na juventude continuaram a fazê-lo no início da idade adulta, comportamento que acaba por consistir em forte preditor para se tornar um bebedor crônico na idade adulta.



Álcool e violência: Estudo brasileiro destaca o uso de álcool como um fator importante no processo de vitimização por homicídios em São Paulo. Entre os resultados, a pesquisa apontou que 43% das vítimas de homicídios analisadas apresentaram níveis de álcool no sangue superiores a 0,2 g/l, e que 56,4% das vítimas mortas nos fins de semana estavam alcoolizadas, o que pode estar relacionado ao consumo de álcool de alto risco em bares e festas, mais comuns nesses dias.



Álcool e afogamento: A combinação de bebida alcoólica e banho de mar ou em rios, represas e cachoeiras pode tornar-se perigosa, principalmente quando associada à imprudência e desconhecimento das áreas de perigo. Estima-se que o uso de álcool esteja associado a cerca de 25 a 50% das mortes de adolescentes e adultos relacionadas a atividades recreativas aquáticas.



Mitos sobre o consumo de álcool: Grande parte das pessoas que bebe em excesso acaba tendo problemas com a direção de veículos, porque não são capazes de reconhecer que a destreza necessária para a direção, além de outras habilidades importantes, como a tomada de decisões, são prejudicadas muito antes dos sinais físicos da embriaguez começarem a aparecer. Outro engano muito comum é subestimar os efeitos duradores do álcool em nosso corpo. Alguns acreditam que parar de beber ou tomar um copo de café podem torná-los aptos a dirigir com segurança. A verdade é que o álcool continua a afetar o cérebro, mesmo após a última dose, prejudicando a coordenação e a capacidade de julgamento até mesmo horas depois da ingestão de bebidas alcoólicas.



Lei Seca: O CISA destaca a influência positiva da Lei 11.705/08, popularmente conhecida como Lei Seca, para a mudança de comportamento dos motoristas, que se tornaram mais responsáveis em relação à mistura “álcool e direção”. A ONG defende, ainda, a intensificação da fiscalização e a aplicação de punição para os infratores como formas de garantir a continuidade da eficácia da lei.



Entrevistas: Para possíveis matérias sobre os assuntos relacionados a álcool e saúde, sugerimos entrevista com o Dr. Arthur Guerra de Andrade, presidente do CISA, Professor da Universidade de São Paulo (USP), psiquiatra e especialista em dependência química ou com a Dra. Camila Magalhães Silveira, psiquiatra e coordenadora do CISA.



Sobre o CISA

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental lançada em 2004 pelo psiquiatra e especialista em dependência química Arthur Guerra de Andrade, é hoje a maior fonte de informações no País sobre o binômio álcool e saúde. Por meio de seu website (www.cisa.org.br), o CISA dispõe de um banco de dados com mais de 1.600 títulos, desde publicações científicas reconhecidas nacional e internacionalmente, dados oficiais, até notícias publicadas em jornais e revistas destinados ao público em geral. Além de estar comprometido com o avanço do conhecimento na área de saúde e álcool, o Centro também atua na prevenção do abuso e nos problemas do uso indevido da substância, por meio de parcerias e elaboração de materiais de apoio a pais e educadores.

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